Sábado, Setembro 16, 2006

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Domingo, Maio 07, 2006

As 12 tampas mais usadas...

Qual é a TUA tampa predilecta? Pensa naquela que já usaste mais vezes e encontra assim a tampa que condiz contigo!Lool, isto parece daqueles testes das revistas femininas... ainda há gente que os faz? Ok, eu confesso, já fiz uns quantos em tempos remotos... O que foi? Toda a gente passa por certas... fases... :S

1- Tampa-na-mouche (stop, eu não quero)

2- Tampa-preventiva (antes que isto seja o que parece ser)

3- Tampa-"defensiva" (antes que isto piore...)

4- Tampa-"ofensiva" (vai à m***)

5- Tampa-estratégica(a vitoriana: eu quero mas disfarço)

6- Tampa-distraída (não dei por ela)

7- Tampa-megalómana (eu sou o (a) maior...e ele (a) está-se a fazer ao piso)

8- Tampa-contrariada (eu bem queria mas não posso)

9- Tampa-X ( o velho tampax...)

10-Tampa-Mal-Empregada (nem sabes o que perdes)

11- Tampa-descartável (hoje não quero mas amanhã talvez)

12- Tampa-Don Perignon (aquelas especiais do champanhe: aguenta-te aí agora, mas não percas o gás...)

Sexta-feira, Maio 05, 2006

Li este poema e achei-o simplesmente lindo. Leiam.


"o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade."


José Luís Peixoto

Quarta-feira, Abril 19, 2006

A desmistificação



"A desmistificação. É o programa de um tempo de desilusões. Porque tudo se desmistifica até à realidade em cru. (...) Não há calor nem dor nem visão, mas as perturbações ou modificações sofridas no corpo que vê ou sente e o mais. Terá algum sentido falar-se em amor ou sofrimento moral ou beleza de uma obra de arte? Se os órgãos descaídos de um velho lhe não permitem amar, porque é que há-de haver amor nos órgãos sólidos de um jovem? Se um quadro é uma tela com tintas, que é isso da arte que não está lá? Se um filho que morre é um corpo decomposto que a nossa semente fez existir, porque há-de sofrer-se com a sua morte? O pai de uma mosca não sofre com a morte dela. A estrita realidade de tudo é o seu ser material. Não digas que amas uma mulher mas apenas que te põe em acção certas vísceras especializadas. Assim a própria forma de estar em amor ou o método de se cumprir, é perfeitamente redutível ao cálculo de papar, colar a boca, empernar. Que é isso do amor? Que é isso de arte? Que é isso de ideias senão um certo processamento cerebral como o é a palavra para a sua realização. O cérebro, aliás, tem um mapa de localizações para os actos mais minúsculos. É uma idiotice falar-se por exemplo em coragem ou agressividade porque a um torpor calculado no cérebro podem anular-se o mérito ou demérito delas. O homem é corpo organizado até à minúcia no seu ser material. Muito bem. Mas então porque celebrar e admirar os actos corajosos de certos tipos históricos? Pois em que é mais admirável a bravura de Afonso Henriques do que a cor dos olhos que não sei? Porque o que te emociona e que é que te faz emocionar numa página de Sófocles ou Pascal? Porque é que desmistificas, se vives em mistificação? Porque se há um cérebro a realizar-se e aquilo que se realiza, que nome dar a essa realização? Se um quadro é apenas tela e tintas, porque é que te comoves ao olhá-lo? E se a tua comoção é uma alteração das tuas fibras, porque é que lhe dás importância e talvez escrevas sobre ela? Extraordinária mistificação de desmistificadores. Nada há mais do que um corpo e o real de toda a realidade. Mas que fazer da realidade depois dessa e que tem de ter um nome?"


Vergílio Ferreira, Escrever

Sexta-feira, Março 31, 2006

. . . Casulo de Vida


























Encolho-me num metro quadrado
de luz.
No quadrado que traduz o branco
Das nossas vidas.
Quem vê de fora parece escuro, mas
deslizando por dentro, abrindo
os olhos bem e trancando o rasto
dos fotões que resistem
Viajamos na Aparição da mente
Que sente e ressente a Luz quente
do Corpo, feito de dois espectros
Unidos.
A Luz que me atravessa é seiva,
bruta que me sacia,
Combustão que me acende e cria
o expoente da nossa loucura
Talvez obscura para alguém
Omnipresente que embora ausente
Também inveje a geometria
Do nosso Amor, que preenche
Um ou dois metros quadrados
De seda, num casulo de vida.

Quinta-feira, Março 09, 2006

Dia de pensar




Hoje não estou aqui. Estou em qualquer outro lugar, mas não aqui. Penso em tanta coisa ao mesmo tempo. Penso nos sonhos por cumprir, no tempo que não tenho e no tempo que desperdiço quando o tenho. Penso em coisas estúpidas que nada têm a ver com nada, fragmentos da minha vida esquecidos com a rotina, coisas que me arrependo de alguma vez ter feito, coisas que não deveria ter hesitado em fazer. Penso em pessoas, vidas, problemas, coisas que constantemente lembro a mim própria que tenho de fazer, penso em coisas que gostaria de ter, faço mil e um planos, em que encaixem todos os meus desejos, mágoas e anseios, para acreditar que, pelo menos, na minha cabeça, está tudo, pormenorizadamente, resolvido. Vejo relâmpagos de momentos a desfilarem no meu pensamento, que assisto atentamente. Reajo com diferentes expressões, faço duas rugas na testa quando estranho alguma coisa, tento perceber o porquê disto ou daquilo, tento desesperadamente encontrar conclusões para tudo, converso comigo própria acerca de mim, ensaio falas importantes, entro em divagações inúteis sobre cuidados de beleza, roupa ou vernizes, deixo-me dominar pela Filosofia e por momentos penso que descobri o que ainda ninguém descobriu, o segredo dos deuses, a fórmula da vida, o elixir da juventude… às vezes acho-me perfeita, inteligente q.b., interessante, engraçada, e a minha alma estremece de satisfação quando me sente feliz, os meus músculos contraem-se repetidamente com os meus próprios pensamentos divertidos, penso que teria jeito para humorista, e ao imaginar-me em tais circunstâncias logo me arrependo e rio-me novamente de mim… Outras vezes acho-me incrivelmente feia, totalmente desinteressante, estupidamente sozinha, inocentemente burra, e cultivo este pensamento durante umas duas ou três horas, pensando em todas as consequências dos meus defeitos, culpando-me e martirizando-me por tudo de mal que acontece na minha vida. Rogo pragas a mulheres bonitas, daquelas que aparecem nas capas das revistas, com sorrisos rasgados e felizes, daqueles sorrisos que só pessoas daquelas conseguem exibir, sorrisos de Barbie, plásticos e perfeitos… Culpo a chuva dos meus problemas, imagino como vai ser a minha vida daqui a uma década, fico assustada com a visão que acabo de ter, vendo-me velha, infeliz e frustrada. Imagino-me no papel de mãe e tomo a decisão de adiar essa condição por muito mais tempo. Imagino-me casada e a fazer cenas de ciúmes, planeio estratégias para educar os meus futuros filhos, liberais e revolucionárias, nunca antes usadas, decido ser uma mãe moderna. Depois lembro-me outra vez do que tenho p’ra fazer, sinto-me culpada por ter perdido tanto tempo, sem fazer rigorosamente nada, de útil…E ao ter este pensamento, desencadeio uma nova panóplia de argumentos que refutem o que acabei de pensar e volto a queimar tempo com reflexões profundas. E penso que tudo é relativo, subjectivo, que as nossas prioridades mudam a cada momento: o que era essencial, passa a ser necessário, depois é importante, a seguir já se considera adiável, e daqui a meia hora já é insignificante… P’ra quê tentar parar o pensamento? Tentar interromper o raciocínio? Atrasar o inevitável? Há coisas importantes que podemos deixar para depois, mas acima de tudo, estamos nós. E não se adiam corações. Não se adiam sinapses. Não se adiam pessoas. Sorrio e vejo as horas. Levanto-me do sofá, olho pela janela e absorvo o movimento das ruas, reparo em todas as pessoas que vejo, começa a chover, delicio-me a ouvir a chuva a chocar com o chão, farto-me de estar ali parada a olhar em frente, mando o corpo mexer-se, ele hesita à primeira, mando outra vez, ele obedece, abandono a janela e continuo a minha vida. Sem olhar para trás.

Domingo, Janeiro 15, 2006

Hoje não sou nada...



Tenho acordado estranha
Não sei ao certo o porquê
Mas parece que não gosto
De acordar.
De abrir os olhos e Ver
Vivo quase sem querer
Acordo para voltar a adormecer
No vazio dos meus sonhos.
Sinto-me neutra hoje
Não pertenço a nada nem a ninguém
Não sei o que serei
No futuro.
Não sei o que me prende, o que me liga
A este mundo.
Não sei sequer o que sou
Não pertenço sequer a mim mesma
Hoje não sou nada
Não tenho nenhum compromisso
Não tenho coisas inadiáveis
Não tenho que falar
Que explicar
Que dizer
Não tenho rigorosamente nada
Para fazer.
Hoje sinto-me neutra
Não pertenço a nada nem a ninguém
Não tenho alma, nem coração
Ninguém sabe que eu existo
E o melhor é mesmo pensar que não!

Marta Valente

Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

Vou-te mostrar quem és!



Vou furar o ciclo. Vou infringir as leis que cumpro sem saber porquê. Vou falar quando sei que devo permanecer calada, silenciosa, cúmplice de todas as verdades escondidas, conivente com a hipocrisia que me rodeia. Vou ser rude, agreste, indelicada. Vou ser inconveniente, inoportuna, sussurrar grosserias ao ouvido de alguém, sabendo estar a chocar a sua alma aparentemente tão pura e bondosa, levando-a a estremecer de raiva, de ódio, por mim. Vou divertir-me com as suas expressões boquiabertas, as suas faces rosadas de vergonha, de escândalo e de mesquinhice. Vou gozar com os gordos, criticar os cromos, rir-me com os feios. Vou ser fútil ao ponto de berrar porque estalou o verniz, ou porque partiu o meu salto agulha (como é que eu ia adivinhar que um salto com 5 mm de diâmetro e 10 cm de altura se ia prender em tudo o que era buraco?), vou ser estupidamente vaidosa e egoísta, caminhar meticulosamente em linha recta, sempre com as costas direitas e cabeça erguida, como se quisesse que toda a gente olhasse p’ra mim, que todas as mulheres me invejassem, que todos os homens me desejassem, lançando olhares de orgulho e desprezo a todos os que, de facto, olham e reparam na insignificância dos meus gestos, e no vazio total do meu mascarado ser. Vou fingir que sei os problemas que afectam o mundo, fingir que me preocupo com a fome e com a guerra, fazer aquele ar de chocada quando algo de mal acontece, quando todos ficam, de facto, chocados, quando é suposto todos ficarem chocados, todos terem sentimentos, ninguém ficar indiferente. Vou fingir que sei falar de política, da bolsa, de viagens, vou fingir que sou indubitavelmente culta, inteligente, quando considero todo e qualquer acto de aprendizagem uma pura treta, eu quero é ser loira, burra e bonita, que é o que realmente interessa hoje em dia! Vou fumar só por fumar, só p’ra dar um certo ar de delinquência, é uma imagem sexy e ‘fashion’ actualmente, é mesmo como uma marca de estilo, de diferença, de superioridade. Vou dizer asneiras, falar da vida de merda que tenho, falar da puta da professora que embirrou comigo desde o princípio, falar dos cabrões dos betos, sempre com aquele penteado à ‘fodasse’. Vou ser infantil, mimada e indecente, vou fingir que acredito naquelas lamechices todas do amor, do ‘casaram e foram felizes p’ra sempre’, vou fingir que sou inocente, p’ra poder foder sem me sentir culpada…Vou ser o que todos são de mal, vou ser as suas consciências, vou ser o que nunca quis ser, e o que todos são. Vou ser o espelho de vocês, seres pequenos e postergáveis da sociedade, que dominam o mundo com mediocridade e arrogância! Pode ser que assim, olhando para mim, vejam quem realmente são e se envergonhem, tirando, finalmente, a máscara dessas almas podres, que jazem nos subúrbios dos vossos corações!
Vou furar o ciclo, vou quebrar o padrão, seguindo-o!
Vou gorar o ciclo, para que, de uma vez por todas, acreditem, que ele é apenas uma mentira a que foram, involuntariamente, educados a aceitar!


9.01.06